O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Mário Nascimento, aponta a modernização e conformidade regulatória entre os principais desafios da banca angolana. Ao analisar o sector, no período de 2024 a 2025, o líder associativo sublinhou que os bancos angolanos precisam de se adaptar às novas regras, investir em tecnologia e reforçar a gestão dos riscos. O crédito mal-parado faz parte da lista.
De acordo com Mário Nascimento, os desafios apontados têm como objectivos alcançar mais clientes e aumentar a competitividade, de modo a apoiar melhor o crescimento da economia do país. Acrescentou que o sector bancário tem pela frente muitos desafios, alguns dos quais associados aos reptos de uma economia em processo de diversificação.
Para além dos mencionados, existem outros desafios que considera importantes para que o sistema bancário se torne mais moderno, sólido e resiliente. Entre eles, destaca-se a adaptação às novas tecnologias, uma vez que, segundo o responsável, a rápida evolução tecnológica exige que os bancos invistam em inovação e se adaptem às novas formas de disponibilização de produtos e de prestação de serviços ao dispor da economia e da população.
Afirma ainda que o aumento da complexidade do mercado financeiro exige que os bancos aprimorem as suas capacidades de gestão de riscos e promovam a expansão da base de clientes através da inclusão financeira.
Para Mário Nascimento, estes dois aspectos são fundamentais para o crescimento do sector bancário e para um maior financiamento ao sector real da economia, assegurando ainda que se tornam igualmente importantes para o aumento da concorrência.
“Mas creio que o primeiro desafio que o sistema bancário angolano enfrenta é o da adaptação, implementação e conformidade com a grande produção regulatória que tem sido feita pelo BNA”, disse. Quanto à visão sobre a temática da
qualidade dos dados, o presidente
da ABANC assegura, no relatório “Banca em Análise 2026”, que isso é para o bom momento do sector bancário, impactando directamente a qualidade do serviço prestado aos clientes, a precisão dos reportes ao Banco Nacional de Angola (BNA) e a qualidade da regulação e da supervisão por parte da instituição.
“A ABANC pode desempenhar um papel importante na promoção da cultura de gestão de dados e na divulgação e disseminação de boas práticas. A ABANC acolhe com satisfação a iniciativa do BNA de lançar a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025-2027”, afirmou.
Crédito mal-parado ainda elevado no sector
De acordo com Mário Nascimento, a associação desempenhou um papel fundamental na coordenação
de esforços entre os seus membros, na promoção de boas práticas, na disseminação de informação relevante e no diálogo com o regulador. Entretanto, menciona que o crédito mal-parado continua elevado.
“Ao nível dos desafios que a banca angolana enfrenta, salientamos a existência de um nível de crédito mal-parado ainda elevado, a persistente volatilidade cambial e os desafios na captação de recursos, principalmente nas suas retenções no sector.” Adiantou que os avanços na digitalização dos serviços bancários, a expansão da prestação dos serviços bancários aos diversos municípios do país, a melhoria da supervisão do sector por parte do BNA, a melhor gestão de riscos por parte dos bancos e a maior ênfase na conformidade regulamentar por parte das instituições bancárias angolanas constituíram as maiores conquistas durante o período.
Mário Nascimento

